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ModaTecnologias e novos formatos apontam que futuro da moda já chegou

Tecnologias e novos formatos apontam que futuro da moda já chegou

02 de junho de 2019 • 16:12
por Yuri Ribeiro

A velocidade tem transformado a realidade. Em todas as esferas, sejam elas sociais, culturais ou econômicas, as mudanças e adaptações são cada vez mais frequentes. Muda-se todo o dia, muda-se o tempo todo. O mundo segue volátil, e o que fazia sentido pode deixar de fazer em pouco tempo. Na moda, essas transformações também vêm acontecendo. O futuro desse setor, que há muito se é discutido, chegou – trazendo reflexões importantes, inclusive. Aquilo que parecia estar distante, hoje, já é presente.

Sempre a frente do seu tempo, Dudu Bertholini é um dos nomes pensantes da moda brasileira. O estilista esteve em Fortaleza, no Ceará, para a 20ª edição do Dragão Fashion Brasil, hoje renomeado como DFB Festival. Convidado para integrar a programação do Dragão Pensando Moda (DPM), ciclo de formação realizado dentro do evento pelo Senac, Ele abriu a programação de bate-papos com uma palestra sobre os novos rumos da moda. Indagado sobre o que o futuro que já é presente, ele enfatiza a incorporação de novas tecnologias.

“Acho que os smarthphones são uma prova disso. A gente já usa celular há um tempo, mas pensar que o Facetime ou Whatsapp são tão recentes, e pensar na diferença que eles causaram. Se por um lado eles tem seus reflexos muito negativos, por outro, pensa como eles encurtaram a comunicação dentro de um processo de criação de um atelier de moda, por exemplo. Acho que existem várias tecnologias que estão proliferando cada vez mais”, pontua o estilista.

Algo que também já faz parte da realidade, dentro dos processos da moda, Dudu também cita o LED. Até alguns anos atrás visto como um efeito visual sinônimo de tecnologia, hoje é algo naturalizado, que já pode ser usado e aplicado a roupas. “Falar em tecnologia, e como ela crescer de uma forma exponencial e não linear, é a gente falar de um presente, de um futuro próximo. O que há pouco tempo era utopia, hoje é natural, seja um celular ou um LED, a gente tem que pensar no que daqui há dez anos também estará naturalizado”.

Dudu Bertholini elenca ainda que alguns gadget – pequenos dispositivos eletrônicos portáteis criados para facilitar funções específicas e úteis no cotidiano – que podem em breve ser incorporar ao setor da moda. Para ele, esse é um futuro que não parece mais tão distante. Em pouco tempo, poder imprimir uma roupa 3D de forma acessível, por exemplo, será uma realidade e fará parte do presente não só das marcas, como também dos consumidores.

“A impressão 3D é algo que está crescendo com cada vez mais força e eu não considero uma utopia pensar que entre dez e vinte anos todo mundo vá ter uma impressora 3D para imprimir roupas em casa, acho isso super possível e viável. As questões de rastreabilidade e blockchain (tecnologia de segurança), vão crescer drasticamente. Acho que em breve qualquer roupa nova que seja criada terá um QR Code que vai nos permitir entender do fio até como ela chegou no ponto de venda”, detalha.

Mas nem só de tecnologia se constrói o presente e o futuro da moda. Para além de novos recursos, o estilista Ronaldo Silvestre, que também esteve no DFB Festival, acredita que os caminhos do setor também apontam para a humanização dos processos. Pensar na relação, não somente do homem com a máquina, mas do homem com a comunidade ao seu entorno, é o que vão definir o que ele chama de indústria 5.0.

 “Um ponto muito forte que eu acho que ter que ser pensado daqui pra frente, é que a gente fala muito da indústria 4.0, da alta tecnologia, e eu acredito muito que a indústria 5.0 seja a humanização dos processos, a relação das empresas extremamente dinâmicas e informatizadas com a comunidade do em torno, em como elas vão lidar com as pessoas que trabalham com elas. Acredito que a gente precisa dinamizar esse processo”, defende.

Essa perspectiva, para Ronaldo, faz parte de um novo modelo de produção que vem se estabelecendo como presente. Mudar modelos e repensar seus processos é uma realidade dentro das marcas atualmente. “Hoje as marcas estão tendo que olhar para dentro, estão tendo que criar coleções cápsulas, microcoleções pensando no regional, no seu entorno. Se a marca é do sul e ela tem pontos de venda no norte-nordeste, ela tem que entender aquela consumidora, ela não tem que impor, ela tem que respeitar corpo, as características locais’, conclui.

O amanhã é inclusivo

Pensar no hoje e no amanhã da moda é também pensar nas novas configurações para eventos de moda. O modelo tradicional, diante das inúmeras transformações do setor, vem sendo repensado. Em um cenário cada vez mais democrático e plural, o contexto para se inserir a moda precisa corresponder a essa nova realidade, já presente.

“A moda é um espelho do mundo. As semanas de moda são um espelho da moda. Então se a moda e o mundo estão passando por tantas transformações, é natural que as semanas de moda passem por transformações. Eu prefiro pensar que, mais do que dizer que elas estejam se tornando obsoletas, é dizer que elas estão se adaptando. As semanas de moda elas não falam só sobre desfiles, fala sobre conteúdo, cultura. O DFB é um exemplo disso. A gente tem um palco acontecendo shows, a gente tem talks e palestras acontecendo ao lado dos desfiles”, comenta Dudu Bertholini.

O DFB Festival confirma o momento presente da moda como algo plural. Para Cláudio Silveira, diretor e idealizador do evento, esse é também o futuro. “O futuro da moda está nas passarelas do Dragão, onde a gente tem críticas construtivas, provocações, tem moda de alto nível. É um mix muito verdadeiro. Isso sim é o futuro da moda, você ter inclusão e você ser diversificado.”.

Refletir sobre o presente e o futuro da moda, é pautar a inclusão. Cláudio atribuiu a isso, o sucesso do DFB, importante palco nacional para o setor. “Eu acho que as pessoas tem que ser mais inclusivas, as pessoas tem que apostar mais na verdade do autoral, tem que saber que a identidade cultural de um povo é muito importante para fazer um evento. Ninguém pode fazer um evento para si próprio, tem que fazer por um conjunto, por um coletivo. Cada vez mais a gente se une e cada vez mais a gente aumenta. Porque essa inclusão e essa verdade dão resultado”. 

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