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ModaMercado apresenta novas experiências de consumo de moda

Mercado apresenta novas experiências de consumo de moda

28 de maio de 2018 • 10:05
por Yuri Ribeiro

Como você comprou a sua última peça de roupa? O que te levou até a última loja que você comprou? Já adquiriu algo pela internet? Já quis um look que viu nas redes sociais? Se essas perguntas te fizeram refletir, é porque elas dizem muito sobre como você, atualmente, consome moda. Nos últimos anos, inúmeros fatores levaram o público a mudar a sua forma de consumir, e a internet e quem está nela também. O que antes se baseava em fórmulas quase prontas para a equação publicidade versus compras, hoje é um grande desafio para marcas e publicitários: despertar o desejo e o consumo.

As formas de consumo precisaram ser reinventadas e mais do que vender, as marcas hoje desejam criar um relacionamento com o público. Essa é a principal mudança que os profissionais têm avaliado em relação ao mercado, o que altera a fórmula tradicional de consumir. “O consumo, de alguma forma, preenche a pessoa da sensação de pertencimento, a um tempo, a um grupo.  O discurso atual é de que as marcas ‘te entendem’, entendem de sua diversidade, ou de pensamento, ou de gênero. Os discursos de respeito à liberdade do ser parecem predominar”, comenta Polyanna Molina, publicitária e especialista em gestão de marcas.

A internet também tem impacto nas novas relações de consumo. Polyanna conta que nos últimos dez anos, o mercado de moda ampliou significativamente, tanto em quantidade de oferta quanto ao acesso das pessoas ao consumo de moda. “Aparentemente temos um mercado de acesso às diversas possiblidades de necessidades e desejos que as pessoas se justificam pra si. A internet influenciou e mudou tudo. A presença das marcas no ambiente digital promove nas pessoas essa noção de acesso, e consequentemente, de possibilidade de consumo”, destaca.

A especialista revela que a internet trouxe a tona outro aspecto importante para mudar a engrenagem do consumo: as possibilidades de informação.  “A informação de moda é constante, em muitos tipos de informação no ambiente digital. Principalmente quando se transforma o estilo de vida em meio de vida. Dessa forma a informação de moda não precisa ser necessariamente uma oferta ou um anúncio, que de certa forma hoje, são menos eficazes, mas essa informação de moda que vêm integrada no estilo e meio de vida de pessoas e marcas, hoje, é um grande motivador de consumo”, explica.

Com isso, em relação à moda, a experiência online tem se tornado cada vez mais frequente. De acordo com uma pesquisa feita por Polyanna Molina para um grande grupo regional sobre perfil de consumidor e seu perfil de consumo, o acesso à informação de moda na internet entre pessoas de classe C e D aumentou. Entre o público, 68% acessa internet diariamente. Do total, 53,7% alegam passar de 1 a 3 horas online e 30% alegam passar de 4 a 10 horas. E por fim, 17% alegam passar até 10 horas na internet.

“Entende o que quis dizer com a sensação de acesso? As pessoas sentem que têm conhecimento do que existe porque têm esse tipo de acesso às informações. O aspecto positivo é a possibilidade de interação cotidiana que as marcas têm. E precisa ser bem utilizado. Não somente com a ideia de quantidade de interação, mas sim na qualidade. É preciso entender que o comportamento digital das pessoas ainda pode ser muito ‘automático’ e arbitrário. Uma visualização ou curtida, por exemplo, não significa efetiva venda, a princípio. E esse pode ser o ponto negativo. O volume só significa alguma coisa, se a interação for segmentada com os interesses”, analisa a especialista.

Para Polyanna, o grande desafio da publicidade hoje é ter a sensibilidade para perceber as nuances das motivações dos grupos de consumo. Ela destaca que um caminho pertinente a ser seguido hoje é fazer com que o público não consuma somente um produto, como também uma ideia, uma imagem, um posicionamento, uma identidade de marca. “As marcas precisam ter propósito, além claro, do lucro. Uma marca pode se aproximar dos consumidores por essa "porta" do propósito. Encontrar um discurso que represente sua identidade de marca, e assim, quase que naturalmente, conseguem a atenção emocional do consumidor”, finaliza. 

Influenciadores digitais estreitam laços

O Dragão Fashion Brasil, agora intitulado DFB Festival, a maior semana de moda autoral do país, incluiu durante sua programação um bate-papo com Alice Ferraz. Ela é o nome por trás do FHits, a primeira plataforma de Influenciadores Digitais de moda e lifestyle do mundo. Depois de identificar as mudanças no mercado, com o núcleo, ela profissionalizou o trabalho das digitais inflencers, que nessa nova configuração do consumo, assumem papel fundamental entre a marca e o público consumidor.

Antes de assumir o comando do FHits, Alice liderava uma agência de relações públicas. Após analisar como o mercado passou a se comportar diante da internet, ela percebeu que precisava repensar as estratégias de marketing para as marcas que trabalhava. “Foi muito desafiador, eu tinha um negocio já estabelecido, que era uma agência de relações públicas em moda. É como se eu tivesse negando o que eu fazia e começando tudo. Mas eu estava transformando junto com o mercado. Não fui eu que criei essa mudança, a mudança estava aconteceu e eu a acompanhei”, comenta.

Alice conta que percebeu que o que estava fazendo, enquanto agência, não estava mais convertendo em vendas para as marcas como convertia antes. Foi então que ela percebeu uma nova forma de comunicar com os consumidores, que era através de influenciadores de estilo que eram inspirações de uma legião de seguidores.

“Elas realmente são veículos de comunicação que movimentam esse mercado, diria que elas estão se tornando os pilares da nova comunicação digital. Você não olha a marca falando dela. Você vê a influenciadora usando e falando daquela marca aí você quer consumir. A maneira de comunicar mudou tudo e mudou a maneira de consumir”, avalia ela, sobre o boom das influenciadoras digitais e sobre como elas impactam no mercado. 

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