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ModaEconomia Criativa: produtos e serviços do setor são aposta do mercado

Economia Criativa: produtos e serviços do setor são aposta do mercado

07 de maio de 2018 • 10:05
por Yuri Ribeiro

Nem sempre um bom negócio surge a partir de um bom capital financeiro. Às vezes uma empresa pode se estruturar a partir de uma potencialidade criativa de alguém ou de um conjunto de pessoas. E isso pode ser um diferencial em um mercado competitivo. Nos últimos anos, mostrando-se uma saída para a crise e despontando como uma alternativa para modelos de economia tradicional, muito tem se falado da Economia Criativa, um setor recente, que tem a criatividade como ferramenta motora e com boas perspectivas de crescimento.

A Economia Criativa refere-se aqueles negócios que giram em torno, principalmente, da força intelectual, criativa e cultural de seus fundadores e funcionários para gerar um valor econômico. São empresas que transformam criação em produtos e serviços promovendo a diversidade cultural e o desenvolvimento humano. Fazem parte de áreas como: arquitetura, publicidade, design, artes, artesanato, moda, cinema e vídeo, televisão, editoração e publicações, artes cênicas, rádio, softwares de lazer e música.

Dados recentes apontam que o setor vem crescendo, elevando as expectativas de profissionais envolvidos nessas áreas.  O segmento gerou uma riqueza de R$ 155,6 bilhões para a economia brasileira em 2015, segundo “Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil”, publicado pela Firjan em dezembro de 2016. Hoje representa cerca de 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, tendo crescimento acumulado de quase 70% nos últimos dez anos e atingindo 3,5% da cesta de exportação brasileira. Os dados constam do "Atlas Econômico da Cultura Brasileira".

Algumas competências profissionais são essenciais para os criativos que movem esse segmento, como a identificação e criação de oportunidades, resiliência e inovação. E esse é um setor em ascensão por conta da atenção que esse profissionais estão dando a mudança no comportamento do consumidor. Para o stylist de moda Paulo Martinez, atravessamos um momento onde se busca o valor e o resignificado das coisas – e a indústria criativa consegue gerar esse valor não-monetário aos produtos.  “O handmade, o tricô, são coisas em alta. Temos que dá valor e ficar falando, somos muito ricos nesse aspecto. É o momento de se reinventar com aquilo que você já é”, diz.

Cientes da importância econômica, instituições públicas já vem apostando no potencial desse setor através de projetos de incentivo. A Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), anunciou durante a última edição do Minas Trend o projeto P7 Criativo, uma agência de desenvolvimento da indústria criativa de Minas Gerais. A ideia é oferecer a profissionais e organizações um ambiente de colaboração e empreendedorismo capaz de promover e articular os interesses da cadeia produtiva da moda de Minas Gerais.

 “Aqui temos nos preocupado com todos. Queremos que essas pessoas criativas, presentes também no interior, tenham oportunidade e acesso ao desenvolvimento da criatividade. O P7 é uma instituição para transmitir para todo o estado a criatividade como oportunidade de ser fazer renda”, comenta o presidente da Fiemg, Olavo Machado Junior sobre o incentivo ao oficio dos artesãos do estado de Minas Gerais e dos profissionais do setor da moda. A instituição acredita que o setor precisa de um olhar diferenciado, e por isso contribui para a capacitação e formalização.

Trabalho à mão reforça identidades

Uma das características da indústria criativa é a capacidade de afirmação de uma identidade, criando características que identificam uma imagem local de forma a gerar valor sobre ela. Por isso, empresas e processos que buscam a valorização dessas identidades de forma original estão cada vez mais em ascensão. Na moda, um exemplo é a crescente valorização de itens produzidos a partir de processos manuais ou com técnicas tradicionais, com grande valor cultural agregado.

O estilista Guilherme Carvalho é um dos nomes por trás da marca Dona Jandira. Ele conta que a grife aposta no trabalho manual como uma forma de agregar valor e identidade ao produto, além de valorizar os processos artesanais manuais. “Acreditamos que o trabalho manual acaba trazendo memória e história, ali você consegue mostrar que não é só você, criador, que fez parte dessa construção do produto. Estamos sempre inserindo e qualificando outras pessoas nesse processo. A ideia é sempre tentar trazer um diferencial para o universo da moda”, conta.

Guilherme conta que este é um caminho para o mercado e consumidores. “Com um ritmo de produção acelerada, há um movimento que tem um olhar aguçado e quer uma moda única, produzida nos mínimos detalhes e manualmente. O mercado e o consumidor final têm muitas possibilidades de escolha, a partir do momento que você põe seu produto na internet, você é comparado com outras marcas, e pode ser ai esse diferencial, em mostrar que aquilo foi feito artesanalmente”, completa o estilista.

O estilista Vitor Dzenk também tem o feito à mão, desde 2003, como uma marca das suas criações. Ele estende esse trabalho para fora do atelier e incentiva grupos e projetos de economia criativa. Em suas peças inclui crochê, macramê, trançados em tear e franjas de seda, tudo desenvolvido em conjunto com núcleos de crocheteiras e artesãs. Para Vitor, inserir esses recursos agrega um diferencial para as peças.

“Temos um núcleo de crocheteiras, desenvolve as primeiras peças e distribuímos para esse núcleo confeccionar. E é automático, o reflexo no produto final, quando a pessoa ver, ela percebe que tem o toque do feito à mão, que saiu só do cortar e costurar. Já é uma marca registrada das minhas coleções, os clientes vêm porque sabem que sempre vai ter. Acho que os designers tem que valorizar e usar esse tipo de oficio nas coleções para que não se percam com o tempo”, comenta. 

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