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ModaA moda pode ser democrática: marcas autorais estreiam no Minas Trend

A moda pode ser democrática: marcas autorais estreiam no Minas Trend

05 de novembro de 2018 • 09:11
por Yuri Ribeiro

A moda funciona como um sistema pulsante. O coração, símbolo escolhido para a 23ª edição do Minas Trend, semana de moda mineira realizada em Belo Horizonte, traduz bem isso. Norteado pelo tema “Agora e para Sempre”, o evento apresentou os lançamentos oficiais para a temporada outono-inverno/2019, em um salão de negócios e também na passarela. Com mudanças na gestão da FIEMG – Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, entidade realizado do Minas Trend, a edição é marcada por novidades, como a escolha do estilista Ronaldo Fraga para assinar a direção criativa.

Fotos: Agência Fotosite

Todo o conceito para esta edição partiu do objetivo de tornar o evento mais democrático. Propondo um evento mais inclusivo, que dialoga com outras vertentes da indústria criativa e que, agora, propicia o acesso da população às suas atividades, Ronaldo Fraga apostou na subversão de parâmetros convencionais da indústria de moda. Todo o evento foi remodelado, desde o formato da feira de negócios até a passarela onde são apresentadas as coleções. Tudo isso para apontar novos caminhos para a moda e renovação dos processos criativos.

Logo na abertura do evento as novidades ficaram perceptíveis ao público. Além da cenografia, que remete a cidade imaginárias, formadas por uma imensidão de containers coloridos, o tradicional desfile, que dá a largada para o line-up de marcas e criadores, nessa edição foi apresentado em um novo formato. No lugar de grifes já conhecidas do mercado, foi dado espaço a nomes autorais que produzem de forma independente. Em um desfile coletivo, mais de 20 marcas apresentaram sua identidade criativa.

“Eu acho que o mais bacana da moda, e é o grande papel da moda, é a conexão com aquilo que é o tempo, com o tempo em que a gente está vivendo. E esse tempo ele pede um olhar carinhoso, democrático e diverso, com inclusão das diferenças. Desde o início, quando me chamaram eu disse que tínhamos que privilegiar isso, os designers autorais, aqueles que apostam em autoralidade, que tem uma marca própria, e que falem das diferenças.  O próprio espaço aqui, que são cidades imaginárias, eu queria que falasse disso”, conta Ronaldo.

A seleção desses nomes autorais partiu de um projeto assinado pela FIEMG que visa qualificar e divulgar o trabalho dos designers que serão destaque da moda na próxima década. Além de refletir no desfile de abertura o espírito do tema inspiracional dessa edição, que aborda a diversidade e inclusão para falar da moda para os próximos anos, o grupo de designers também participa do salão de negócios do evento com um estande especialmente desenvolvido para evidenciar as características diferenciadas de suas criações.

“Em outra época, o evento trazia um formato de desfile de abertura, com uma série de marcas novas que as pessoas não conheciam porque elas não desfilavam no SPFW. O desfile de abertura tinha um perfil de ser um desfile da FIEMG, era um momento para apresentar a força da profissão e do setor. Aquele formato não faz mais sentindo porque hoje as marcas já são conhecidas, estamos em outro momento. Estamos em um salão de negócios e a moda precisa se alimentar do novo, e abrindo espaço para esse novo, dando espaço para ele na passarela e para comercialização, é algo que não tivemos no Brasil”, finaliza o estilista e diretor criativo do Minas Trend.

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